Seminário NEMES

Ementas


O significado de provérbios judaicos na modernidade

Prof. Dr. Neivor Schuck

Queremos debater o significado de alguns provérbios judaicos na modernidade e sua influência na ética moderna. Para tanto, partimos do livro dos Pais, Pirkei Avot. Ao abordarmos algumas sentenças desse livro, queremos discutir a relação destas com o cotidiano ético e com Deus. Os seis capítulos do livro são ricos em histórias de dois tipos: como bem viver em sociedade, e como bem viver em diante da religião. O texto foi escrito, provavelmente, no século II d.C., e posteriormente transmitido oralmente.

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Três judeus, três caminhos complementares sobre a condição humana: entre o desejo freudiano, o sentido frankliano e a finitude beckeriana, uma psicologia profunda do como viver e do porque morrer

Profa. Ms. Daniele Batagin

Realizar os desejos, identificar o sentido da vida, faz com que o ser humano se confronte com a finitude de formas distintas, mas complementares dentro da perspectiva teórica que será apresentada. Entre a essência e a existência do ser humano existe uma estrutura arqueológica de sua psique, bem como uma tensão onde a existência ocorre. Desta forma veremos como a psicogênese freudiana se relaciona com a noogênese frankliana e o quanto isso se constitui a forma como o ser humano se coloca frente ao “porque viver” e “como morrer”.

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Judaísmo messiânico: o conflito de viver entre o judaísmo e o cristianismo

Mestranda Marta Marciano

Há um espaço entre a milenar e conflituosa relação entre judaísmo e cristianismo, tradição e traição, origem e oposição, que é ocupado por um grupo que se vê como ponte, mas é visto, por ambos os lados, como antinômico. Os judeus messiânicos, hoje cerca de um milhão de pessoas no mundo, convivem com o desafio de não serem vistos como uma dissidência judaica digna de ser perseguida, ou como uma heresia cristã judaizante, mas de serem reconhecidos como judeus herdeiros do judaísmo nazareno. Em meio às inúmeras objeções, cristãs e judaicas, alguns pensadores messiânicos elaboram respostas que podemos chamar de messianológicas. Além do valor teológico e filosófico de tal exegese, podemos reconhecer nela uma estratégia de enraizamento identitário, mais do que simples posicionamento doutrinário.

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Leo Strauss, judaísmo e as crises da modernidade (balanço das pesquisas dos últimos dois anos)

Profs. Drs. José Luiz Bueno, Maria Cristina Mariante Guarnieri e Andréa Kogan

O grupo de pesquisa NEMES (Núcleo de Estudo em Mística e Santidade, sob orientação do Prof. Dr. Luiz Felipe Pondé) – do Programa de Ciências da Religião da PUC-SP – vem se dedicando ao estudo sobre judaísmo contemporâneo desde o início do ano de 2015. Nesse ano, duas obras foram discutidas: How Judaism Became a Religion, de Leora Batnitsky, e Cambridge Companion to Modern Jewish Philosophy, editado por Michael L. Morgan e Peter Eli Gordon. Já no corrente ano, o centro das discussões foi o filósofo Leo Strauss com seus textos: Progress or Return (versão no The Leo Strauss Center), Jerusalem and Athens e Why we remain Jews. No ano de 2017, os estudos terão como base o filósofo Abraham Joshua Heschel. Esta apresentação resumirá os estudos passados e trará um breve panorama dos estudos futuros, além de justificar a importância das discussões sobre judaísmo contemporâneo.

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O homem moderno em busca de uma alma

Profa. Dra. Lilian Wurzba

Considerando, em linhas gerais, que o homem moderno já não possui as certezas metafísicas de outrora, que rompeu com a tradição, e que, vivendo no presente, não tem passado e o futuro se lhe afigura incerto, não seria exagero dizer que esse homem vive uma dissociação: ao mesmo tempo que, mais e mais, caminha em direção ao progresso material, experimenta um sentimento de inutilidade, muitas vezes acompanhado de um sentimento de vazio religioso. É o que Carl Gustav Jung (1875-1961) denominou “neurose geral do nosso tempo”, pois a neurose se constitui no “sofrimento de uma alma que não descobriu o seu sentido”. Esta comunicação pretende, assim, trazer à discussão as reflexões da Psicologia Analítica numa tentativa de compreensão da busca desenfreada por sentido que observamos hoje.

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Benjamin Fondane para além da história

Profa. Dra. Gabriela Bal

É minha intenção dar voz ao grito “inatendido” de Benjamin Fondane (1898-1944), filosofo, poeta, dramaturgo, cineasta e crítico literário, judeu de origem romena, morto na câmara de gás em Birkenau em 1944. Retomar Fondane hoje é voltar ao que não pôde ser escutado, embora tenha sido dito: o grito, enquanto única saída possível diante da violência imposta pela primazia da razão, bem como os seus desdobramentos e consequências na história. Em oposição à dor humana, quem grita do mais fundo em Fondane é a Vida. A sua vida ameaçada, a mesma vida que ele persegue, por trás, através da dor e para além da dor. Entre o lógos e o Deus de seus pais, entre Atenas e Jerusalém, o Deus bíblico não o abandona, nem ele a Deus, até mesmo em seu destino trágico, vivido até o fim, enquanto opção radical de pertença à família humana e ao povo judeu, o qual não abandonou.

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Distopia moral

Prof. Dr. Andrei Venturini Martins

Buscarei mostrar o grande entusiasmo do advento científico nos séculos XVI e XVII, cultuando o progresso e a perfectibilidade do homem; porém, constatou-se no século XX que o progresso científico não é acompanhado, necessariamente, por avanços morais, de modo que a cisão entre ciência e moral seria um dos grandes marcos daquilo que poderíamos chamar de pós-modernidadade.

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Do ensimesmamento contemporâneo às ideias totalitárias: Versão Levinasiana

Profa. Dra. Maria Angélica Santana

O ser humano sai do século XIX altamente individualizado e interiorizado, a ponto de se poder declarar que ele é radicalmente indiferente a tudo que lhe seja exterior. O homem moderno não é mais sujeito a limites, senão aqueles impostos pela própria consciência. No entendimento de Lévinas, o mundo moderno sacrificou a medida transcendente da justiça à satisfação imanente da liberdade. Nas palavras de Hannah Arendt, o homem moderno “se fechou em si mesmo”.

O sujeito contemporâneo carrega em si o conflito de viver enclausurado no individualismo, e de agir em nome de uma massa com a qual busca se identificar. Atuando na sociedade como alguém que não pensa e, portanto, inconsciente de seus atos, é mero instrumento nas mãos de algumas cabeças que dizem o que deve ser feito. Detém-se tanto em seu individualismo – e a isso é estimulado a todo o instante – que não lhe é possível pensar suas atitudes e tentar pará-las.

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A pesquisa em torno da mística e da santidade no mundo moderno

Profa. Dra. Maria José Caldeira do Amaral

Esta comunicação tem como objetivo provocar uma discussão no campo da pesquisa desenvolvida em mística e santidade. Partimos da pesquisa em torno da mística feminina medieval cristã, representada nesta discussão por Hadewijch da Antuérpia — beguina do século XII — e sua posição frente à experiência daqueles que experimentam, e sabem, o que é o amor, e daqueles que não experimentam esse amor. A experiência do amor para Hadewijch é violenta, intensa, nos moldes da experiência de Ricardo de São Vitor, e é por essa mesma e própria veemência que esse acometimento humano concede à alma a sua anatomia original. Implícita em sua linguagem sobre o amor de Deus, Hadewijch sustenta a impossibilidade de aplicar a ele conceitos e categorias, sejam eles teológicos, filosóficos ou psicológicos. Considerando o relato de Hadewijch, seria então a atenção às considerações teológicas (uma teologia negativa), filosóficas e psicológicas modernas, em torno da experiência do amor, a alternativa para que as pesquisas em mística e santidade possam iluminar as vicissitudes do acometimento do amor no mundo moderno?


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