Seminário NEMES



Após oito anos organizando edições anuais do Seminário NEMES, sempre com a coordenação geral do Prof. Dr. Luiz Felipe Pondé, o Núcleo de Estudos em Mística e Santidade — do Programa de Estudos Pós-Graduados em Ciência da Religião da PUC-SP — chega a 12ª edição do evento com o Seminário de Inverno 2017: Qual a relevância de se estudar religião no mundo contemporâneo?

O evento ocorrerá no dia 23 de junho, das 13h às 19h, na PUC-SP.

Não é necessário fazer inscrição. A entrada é gratuita.


Aguardamos sua presença!

Ilustração a partir de escultura de Jaume Plensa (mais informações ao final desta página)


PROGRAMAÇÃO


ABERTURA – 13h

Prof. Dr. Luiz Felipe Pondé :: Qual a relevância de se estudar religião no mundo contemporâneo?


MESA 1 – 13h45

Prof. Dr. Fábio Mendia :: As espiritualidades de vida e sua importância na criação de um novo ethos na sociedade brasileira contemporânea

Resumo: A partir dos anos 1960, desenvolveu-se um movimento contracultural, que se convencionou denominar de “Nova Era”, fortemente influenciado pela cosmovisão do esoterismo ocidental secularizado, conhecida como Ocultismo. Aos poucos a “Nova Era” foi se transformando, inserindo-se na sociedade de forma diversificada, sem líderes, nem escrituras, nem dogmas, nem grandes instituições. Começando na Europa e nos EUA, foi se expandindo globalmente, incorporando e influenciando culturas locais, a espiritualidade individual e mesmo as religiões tradicionais, inclusive as mainstream. Em virtude dessa nova configuração, alguns autores, como Paul Heelas, preferem atualmente chamar esse movimento de “Espiritualidades de Vida”. Apesar de diversificado, o movimento tem uma “matriz de sentido” que deriva de seu posicionamento de “acesso aberto à divindade”, o que inclui a ideia do “Self superior” dos indivíduos como uma fagulha divina ligada ao Todo. Entre seus objetivos está a evolução da consciência individual para alcançar a “consciência cósmica”, bem como a viabilização da fraternidade humana e a defesa da natureza sagrada. Portanto, tem um forte componente religioso; mas, para o público, é uma “religião invisível”, na definição de Knoblauch e Luckman.

Sua manifestação ultrapassa o campo religioso, gerando um novo ethos global. A ubiquidade desse ethos – com sua flexibilidade em acomodar visões distintas graças à ausência de dogmas, sua religiosidade “invisível”, e seu caráter plural, transcultural e transnacional – pode ser de grande ajuda para se conseguir um diálogo entre cosmovisões diferentes em torno de valores básicos, de políticas ambientais e internacionais em defesa dos direitos humanos e da liberdade religiosa.


Profa. Dra. Maria Angélica Santana :: O homem contemporâneo: as religiões e o problema do sentido da vida

Resumo: Sem dúvida alguma, o século XX foi o século da ciência: a física desvendou mistérios do universo, a biologia revelou o segredo da vida, a medicina conseguiu duplicar a longevidade humana e a tecnologia transformou o nosso cotidiano. Mas as previsões de que Deus não seria mais necessário ao homem, e que as manifestações religiosas passariam a fazer parte do mundo das crenças e das superstições com o avanço do conhecimento científico, não se concretizaram. Em pleno século XXI, as religiões estão mais vivas do que nunca. Todas as sociedades têm uma configuração religiosa, mesmo as mais remotas. O homem sente a necessidade de realizar uma busca contínua por verdades e certezas porque, apesar de todos os avanços, a ciência não consegue explicar tudo, e a sacralização da vida é uma das formas de atribuir sentido ao fato de existir.

O homem contemporâneo também está preocupado com o desemprego, as desilusões amorosas, as doenças, problemas identificados com o mal. É difícil lidar com essas questões, emocionalmente e na prática; sendo assim, a busca pela salvação, que também é uma luta contra o mal, deve fazer com que esses conflitos do cotidiano sejam resolvidos por intermédio do contato com a divindade. Por isso, cresceu a adesão às instituições que prometem resoluções para eles. É o caso da maioria das religiões neopentecostais, com sua teologia da prosperidade. As religiões permitem, ainda, que o ser humano exerça sua subjetividade, por serem repletas de símbolos. Os símbolos são mensagens subjetivas. O sujeito os incorpora, entende e expressa de acordo com sua vivência cultural.

Por ser parte integrante da cultura humana, assim como a arte, a ciência e a filosofia, a religião continuará a existir, independentemente do estágio de desenvolvimento tecnológico da sociedade, devido a sua grande capacidade de adaptação. Deus é histórico e, enquanto o homem tiver questões sem respostas, ele as buscará na religião. Portanto, sempre haverá uma brecha na qual um ser superior ou explicações transcendentais se instalarão. Pela trajetória histórica da sociedade, será difícil o ser humano abrir mão da crença num ser que transcenda a materialidade.


Profa. Dra. Maria José Caldeira do Amaral :: Psicologia e religião: a experiência de Deus e a Psique hoje

Resumo: A experiência de Deus é um dado psíquico e um dado teológico, mesmo considerando a controvérsia e a fragilidade epistêmica dessa afirmação que nos é oferecida pelas pesquisas no campo das duas áreas de conhecimento. Sabemos, também, que existe uma afinidade entre a experiência de Deus e a psique humana, afinidade essa que se configura como objeto da Psicologia e da Religião. Diante dessa afinidade, na qual a experiência humana implica em sua interioridade, a compreensão ampliada dessas mesmas experiências, em nossa vida contingente, encontra uma receptividade no colo de temas teológicos profundos. Em síntese, o apelo de nossa consciência, de nossa alma, sendo ela representada e simbolizada também por motivos teológicos (o amor, a morte, a eternidade, o julgamento da alma, de onde viemos, para onde vamos, a cura, o bem, o mal, etc), possui uma intimidade com as preocupações filosóficas, configurando assim o apelo de uma manifestação espontânea e reencontrada nesses dois campos de conhecimento.

Nosso objetivo nesta comunicação é apontar para o caráter sui generis da pesquisa em Ciências da Religião e da Psicologia do Inconsciente, considerando a Psicologia como uma das Ciências da Religião e, assim, considerar os desdobramentos dos postulados da Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung para o estudo da Religião.


Coffee Break – 15h


MESA 2 – 15h15

Mestranda Maria Emília M. P. Schuck :: Os símbolos judaicos em Heschel

Resumo: No prefácio de O Homem à procura de Deus, há uma frase que resume qual o significado dos símbolos judaicos para Abraham J. Heschel: “Perdemos o poder de orar porque perdemos o senso da sua realidade. Tudo o que nós fazemos é feito através de símbolos”. Esta frase é quase como uma provocação. Dando continuidade aos estudos propostos neste semestre pelo NEMES, que busca aprofundar os estudos em Heschel através da leitura do livro Deus em busca do Homem, proponho para esta apresentação refletirmos os significados dos símbolos judaicos para Heschel. No mundo contemporâneo em que vivemos rodeados de símbolos por todos os lados, incluindo os religiosos, Heschel procura analisar o seu significado na vida cotidiana dos judeus. Para nós da Ciência da Religião, os símbolos têm um papel fundamental na análise do “homo religiosus”, no qual o espaço do sagrado se faz através dos símbolos. Heschel nos convida a repensarmos a religião sem os símbolos.


Doutoranda Isadora G. Sinay :: Judaísmo na era Trump: Here I am (Jonathan Safran Foer) e O Complô contra a América (Philip Roth)

Resumo: … Não disponível …


Doutoranda Flávia Arielo :: Pode a religião nos conectar à beleza?

Resumo: “Se há alguém indiferente à beleza, sem dúvida é porque não a percebe”. Nesta frase do filósofo conservador Roger Scruton habita o cerne de uma das maiores preocupações da estética: a beleza. Essa dúvida não paira somente sobre os ombros da estética, mas é também uma dúvida da humanidade como um todo, já que a beleza demonstrou e demonstra ser uma ocupação absolutamente antropológica. Em outras palavras, o homem se apropriou não apenas do conceito de beleza, mas principalmente de sua produção através de veios artísticos. Refletindo sobre isso, uma questão vem à baila: o que nos conecta às formas e preceitos da beleza? Uma das possibilidades de respostas a esta pergunta é a religião. Da pré-história ao mundo moderno a presença divina ou religiosa é uma constante como referência e leitmotiv na confecção de monólitos, estátuas, estruturas arquitetônicas, quadros e tantas outras formas de expressão artística. Mas, afinal, pode a religião realmente conectar o homem à beleza? A proposta aqui é defender a resposta positiva a esta questão, analisando brevemente a presença e importância da religião na história da arte ocidental, enfatizando o caráter religioso da beleza presente em obras artísticas ao longo da história. Para tanto, alguns autores farão coro a esta análise: o já citado Roger Scruton e também Umberto Eco, Wassily Kandinsky e Erwin Panofsky.


MESA 3 – 16h30

Mestranda Mirella Giglio :: Mircea Eliade e o Apocalipse de Coppola

Resumo: Mircea Eliade deixou textos importantes sobre a história das religiões, filosofia, visão do homem e sobre mitologia. Seu legado ainda contribui para pesquisadores das Ciências da Religião, História, Antropologia, Psicologia, Filosofia e também influencia diversos artistas. O diretor de cinema Francis Ford Coppola lançou o filme Apocalypse Now em 1979, baseado no romance Coração das Trevas, de Joseph Conrad. O filme mostra a estória de um capitão do exército americano que aceita a missão de ir ao encontro de Kurtz, um comandante americano com fama de ter enlouquecido. A ação se passa durante a guerra do Vietnã, e retrata a visão de Copolla sobre a guerra e sobre os seres humanos. Essa guerra foi uma tentativa dos americanos impedirem que o Vietnã se tornasse um país comunista.

A visão de mundo de Eliade pode ser utilizada tanto para explicar o esforço dos americanos contra o comunismo, quanto o significado do personagem Kurtz. Eliade descreve o mundo como aquilo que conhecemos, onde habitamos, o nosso cosmos. Tudo que não pertence a esse espaço conhecido é visto como caos, onde habitam os demônios, a desordem. Podemos interpretar essa estória cinematográfica como a narração de um mito, pois ela narra a jornada de um herói em busca de algo sagrado. O protagonista do filme navega em águas desconhecidas, enfrentando trevas e morte, e renascendo a partir do encontro com Kurtz. Assim como um paciente de psicoterapia profunda, ele aceita o convite de penetrar nas trevas do inconsciente de forma iniciática. O filme é rico em símbolos arquetípicos, como a lua, as águas, o sol, entre outros que são descritos na obra de Eliade.

Podemos concluir que os termos descritos por Mircea Eliade podem ser utilizados como recurso para enriquecer a experiência de quem assiste Apocalypse Now, amplificando a compreensão que temos sobre o ser humano.


Profa. Dra. Gabriela Bal :: A segunda dimensão do pensamento na obra de Benjamin Fondane e Léon Chestov

Resumo: É partir do desespero, no sentido bíblico daquele que clama das profundezas (De profúndis clamávi ad te, Dómine – “Das profundezas, clamo a ti, Senhor”, Salmo 129) que Chestov (1866-1938) e Fondane (1898-1944) começam a estabelecer uma possível correlação entre a filosofia existencial e a verdade revelada nas escrituras. O que transparece à primeira vista, por trás do pensamento destes dois filósofos, é a “luta contra as evidências da razão”, como a sua marca mais pungente, seguida, na outra ponta, por aquilo que vieram a denominar como a segunda dimensão do pensamento, ou a fé, pois para eles “a fé começa precisamente lá onde termina o pensamento”, ou melhor dizendo, a fé nasce a partir do paradoxo e do absurdo.

Fondane e Chestov se propuseram, em seus escritos e nas suas vidas, a integrar o paradoxo, a contemplar a “irresignação” e a fé enquanto exigências existenciais, e mais, enquanto urgência de transcendência. Os limites da razão nunca representaram para eles um limite intransponível, mas sim um impulso para ir “além”, além da razão e de suas limitações. Sempre que os nossos filósofos se viram diante deste limite, como um abismo, eles vieram a recorrer ao pensamento de Plotino (205-270), filósofo neoplatônico que primeiro anteviu, contemplou e indicou uma via que aponta para a existência de um além da razão e que agora lhes caberia, anunciar e, ao mesmo tempo, denunciar os desmandos da supremacia da razão e suas consequências na história humana.


Prof. MS. Carlos Alberto A. A. de Sousa :: O conflito entre Religião e Ciência visto no embate entre Existência e Metafísica: contribuições kierkegaardianas

Resumo: Nossa inspiração para apresentar este trabalho parte da leitura da crítica de Søren Kierkegaard ao sistema metafísico hegeliano. Para Kierkegaard, “cada individuo é incomensurável para o conceito”. Sua crítica ao sistema filosófico que tenta explicar a existência, reduzindo o existir a uma grade conceitual, passa pela distinção entre a abordagem das questões da vida por um pensador existencial e por um filósofo sistemático (vide Diários e Pós-escritos às Migalhas Filosóficas). Para este último, a metafísica, enquanto cerne e raiz da Filosofia, nos diz com propriedade no que consistem os problemas essenciais da existência humana, e suas possibilidades de respostas. Nessa perspectiva, a filosofia sistemática – e a própria ciência – desvendariam os drama da vida humana. Por outro lado, o pensador existencial, ciente da impotência da filosofia especulativa em abarcar a vida humana concreta, busca uma compreensão situacional mergulhando nos dramas e conflitos vividos por ele mesmo; ele está totalmente implicado no que faz. Sua reflexão sobre o sentido da existência, mesmo sendo uma reflexão racional, não desconsidera o papel importante das paixões, da vontade e do amor para a construção e compressão da vida humana e sua busca de sentido.

Partindo dessa reflexão, gostaríamos de considerar o conflito entre ciência e religião, desde o início da modernidade, como um conflito entre duas modalidades de pensamento, ou entre dois personagens: o pensador conceitual e o pensador existencial. Nessa perspectiva, temos duas abordagens da vida, do pensamento e da realidade. Uma abordagem que se pretende puramente objetiva, imparcial, neutra e científica do mundo, onde se procura resolver as questões fundamentais da estrutura da realidade, mas na qual o sujeito – em sua dimensão existencial, prática e dramática – tenta ficar de fora dessa abordagem ao lidar com seus objetos de pesquisa. É a típica relação cognitiva entre Sujeito e Objeto. Já o pensamento existencial e situacional (vide Abraham J. Heschel), próprio de quem vive suas crenças, é marcado pela presença do sujeito imerso em seus dramas e buscas. Assim a religião, locus de um pensamento situacional onde o crente está totalmente imerso e envolvido, diferencia-se da apreensão metafísica do mundo produzida pelo filósofo ou pelo cientista.

Talvez a incompreensão, ou mesmo o conflito, entre ciência e religião seja um reflexo da tomada de posição diante da vida e de seus problemas: na religião, a vida concreta é sempre exigida, tomada e transformada; na ciência, é apenas um objeto a ser explicado. Talvez a dificuldade da inteligência científica e sua crítica para com a religião esteja no fato de que esta não se compreende sem uma vivência; ou seja, a religião exige imersão para a sua compreensão; exige a vida e impõe-se como um modo de vida, assim como a filosofia em seus primórdios (vide Pierre Hadot). A religião não é algo essencialmente que se pensa, mas algo que se vive. Tem muito mais a ver com o “fazer” do que com o “pensar” (vide Karen Armstrong).


MESA 4 – 17h45

Prof. Dr. Neivor Schuck :: A importância da fenomenologia da religião em Heidegger: o judaísmo na perspectiva fenomenológica

Resumo: A perspectiva da fenomenologia da religião merece destaque, pois parte do pressuposto da suspensão do juízo. Devemos estudar um fenômeno (KANT) sem atribuir inicialmente categorias que o enquadrem e o coloquem dentro de um conceito pronto. Heidegger, ao seguir a proposta de seu mestre Husserl, propôs entendermos o fenômeno religioso desse modo. Ao abordarmos esse tema em nossa tese de doutorado (SCHUCK, 2015), destacamos sua importância para o entendimento da experiência religiosa. Entendemos que isso pode ser ampliado para entendermos as diferentes formas de manifestação do judaísmo no século XXI. Destacamos formas veladas de anti-semitismo e conflitos religiosos. Portanto, dividimos nossa apresentação em dois momentos: (1) a fenomenologia e seus limites; e (2) a fenomenologia como instrumento para entender algumas particularidades do judaísmo.


Prof. Dr. Andrei Venturini Martins :: Resposta à questão “qual a relevância de se estudar religião no mundo contemporâneo?”

Resumo: Pretendo pensar algumas hipóteses que poderiam justificar o estudo da religião no contemporâneo: a religião pode ser o ponto de partida de uma cultura; instrumento que relativiza o progresso ao pensá-lo em termos morais; sistema capaz de contrapor verdade e utilidade; sistema de sentido na era do vazio; e instrumento de erotismo em tempos de sexo instintivo, ou seja, em um contemporâneo no qual o ato sexual é visto como pura atividade biológica.


Prof. Dr. José Luiz Bueno :: Qual a relevância de se estudar judaísmo no mundo contemporâneo?”

Resumo: O grupo NEMES tem se dedicado ao estudo da filosofia judaica contemporânea por entender que esta é uma área a ser explorada no campo acadêmico com grande ganho. Neste ano, os estudos se concentram na obra e no pensamento de Abraham Joshua Heschel. Nesta comunicação, pretendemos abordar aspectos desta pesquisa e propor um diálogo com a contemporaneidade a partir de algumas noções heschelianas, e também de outros pensadores judeus que já foram objeto de estudo no grupo. O objetivo é a apropriação de categorias de pensamento judaico que ofereçam recursos para se pensar a condição humana na contemporaneidade e, assim, ressaltar a importância do estudo da filosofia judaica contemporânea e sua contribuição para o pensamento filosófico atual.


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ORGANIZAÇÃO

Andrea Kogan
José Luiz Bueno
Maria Cristina Mariante Guarnieri

ARTE E DESIGN

Jussara Almeida  (jussara.almeida.sp@gmail.com)


SOBRE O POSTER

A escultura que inspirou a ilustração do poster foi criada pelo artista e escultor espanhol Jaume Plensa (mais infos: site oficial, Artsy e Artnet). Faz parte de uma instalação permanente do artista – conhecida como “Tolerance” – inaugurada em 2011 no parque Buffalo Bayou em Houston (Texas, EUA), e criada para coincidir com a construção da ponte Rosemont, que oferece acesso a pedestres e ciclistas para cruzar o parque sem ter de atravessar o tráfego de automóveis das avenidas mais próximas.

O conjunto de esculturas é composto por sete figuras humanas, ajoelhadas sobre pedestais de granito de corte grosso, que representam os sete continentes. Sua estrutura de alumínio prateado consiste em padrões intrincados de símbolos alfabéticos, provenientes de diversas línguas ao redor do mundo, numa mistura de latim, hebraico, árabe, chinês, japonês, coreano, grego, hindi e cirílico. À noite, todas as esculturas são iluminadas a partir de dentro, criando uma bela constelação de faróis em forma humana.

Plensa – nascido em Barcelona, onde estudou arte na Escola de Llotja e na Escola Superior de Belles Arts de Sant Jordi – diz ter crescido “em uma floresta de livros” e vê as letras e outros símbolos gráficos como uma bela metáfora para os seres humanos. Para ele, quando comparamos, por exemplo, a letra ‘A’ com as letras ‘B’ ou ‘C’, ou com outros caracteres, eles obviamente parecem diferentes, mas “como é bonito quando você pode juntá-los e construir palavras”. E ao juntar palavras, construir textos. E aproximando textos, “construir cultura”.

Com esse trabalho, o artista procurou transmitir harmonia e unidade através de seus seres metálicos, compostos por símbolos que nos lembram a riqueza do pensamento e da criatividade humana. Sua inspiração vem da crença de que, apesar das muitas diferenças entre os seres humanos – diferenças essas que também nos tornam únicos – como religião ou linguagem, a maioria busca por coisas semelhantes durante a vida: amor, saúde, prosperidade, felicidade e sentido para viver.


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Para mais informações, entrar em contato através dos emails:
nemes.judaismo@gmail.com ou procrespeventos@pucsp.br

OS SEMINÁRIOS NEMES SÃO EVENTOS SEM FINS LUCRATIVOS, REALIZADOS APENAS PARA INCENTIVAR E DIVULGAR TRABALHOS DE PESQUISA ACADÊMICA E CIENTÍFICA.

The NEMES SEMINARS are non-profit events held only with the purpose of encouraging and presenting academic research in Science of Religion studies.

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